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De todos os modelos complicados que a Vacheron Constantin apresentou durante o SIHH 2010, o Patrimony Traditionnelle “Calibre 2253” da “Collection Excellence Platine” assume um destaque particular. Para além da presença de um turbilhão, o modelo dispõe de complicações astronómicas como o calendário perpétuo, indicação do nascer e pôr-do-sol e equação do tempo, para além de uma reserva de marcha excepcional de 14 dias. Trata-se neste caso de uma série limitada e numerada a apenas 10 relógios.
Colecção Patrimony Traditionnelle
A colecção “Patrimony Traditionnelle” é a que melhor reflecte o DNA da Vacheron Constantin com a experiência e os conhecimentos técnicos que a manufactura adquiriu ao longo de mais de 250 anos. As caixas redondas produzidas pela marca fazem parte tanto do passado como do futuro. Um conceito de forma eterno e de uma elegância natural que não precisa de adornos, e cujo estilo consagrado é muitas vezes sinonimo de uma relojoaria Suíça da qualidade superior.
A colecção “Patrimony Traditionnelle” inspira-se na estética de alguns dos modelos históricos mais expressivos da Vacheron Constantin. Para além de apresentarem um estilo de sobriedade estudada, a colecção simboliza alguns dos valores mais apreciados pelos amantes da alta relojoaria. Qualquer conhecedor de relojoaria mais atento saberá apreciar os detalhes da “reserva especial” de relógios desta manufactura: o aro fino, o contorno estriado da tampa de fundo de rosca com cristal de safira, os índices das horas trapezoidais perfeitamente polidos — duplos às 6 e às 12 —, os ponteiros “dauphine”, os mostradores prateados de tons distintos, a caixa escalonada com asas soldadas e a lateral de linhas bem definidas. A interpretação actual da estética clássica da colecção “Patrimony Traditionnelle” recorda-nos que a tradição e a modernidade convivem com naturalidade na Vacheron Constantin.
Estes parâmetros estéticos bem definidos podem aplicar-se a toda a gama de relógios da colecção “Patrimony Traditionnelle”, desde o relógio de pulso automático que se limita a marcar as horas, os minutos e os segundos, até ao turbilhão com repetição de minutos e calendário perpétuo. A colecção, que abrange desde os relógios mais simples aos mais complicados, manifesta a criatividade da Vacheron Constantin e presta homenagem a mais de dois séculos e meio de história ininterrupta.
Collection Excellence Platine
Em 2006 a manufactura Vacheron Constantin decidiu homenagear o metal precioso mais extraordinário e aristocrático como forma de inaugurar um novo quarto de milénio. A partir daí, todos os relógios em platina passariam a ser inicialmente fabricados em séries limitadas de 150 relógios no máximo, e seriam reservados exclusivamente a coleccionadores e conhecedores. Assim nasceu a “Collection Excellence Platine”. Nestes modelos, para além de uma caixa em platina, cada relógio da colecção assume sempre uma característica singular que o distingue dos restantes modelos fabricados com este metal. Essa característica pode ser um fecho, uma coroa ou ponteiros de platina, ou ainda um mostrador de platina com um acabamento polido e uma inscrição discreta “PT950”. A atenção ao detalhe é tão extrema que é utilizado fio de platina entrelaçado com seda para costurar as pulseiras de pele de crocodilo na cor azul-escuro destes relógios.
Patrimony Traditionnelle “Calibre 2253” - Collection Excellence Platine
O Patrimony Traditionnelle “Calibre 2253” faz parte da « Collection Excellence Platine ». Do ponto de vista técnico, este modelo caracteriza-se pela presença de uma complicação astronómica. O novo calibre 2253, construído integralmente pelo departamento técnico da Vacheron Constantin e em cujo desenvolvimento foram investidas milhares de horas de trabalho, representa sobre o seu mostrador um conjunto de informação obtida a partir da órbita descrita pela Terra em torno do Sol; a saber, um calendário perpétuo, uma equação do tempo e o nascer e pôr-do-sol. Adicionalmente, dispõe ainda de um escape de turbilhão.
Uma reserva de marcha de 336 horas ou 14 dias
A Vacheron Constantin apresentou o modelo Saint-Gervais em 2005, em comemoração de seu 250º aniversário. A excepcional reserva de marcha de 250 horas do seu movimento turbilhão, o calibre 2250 com calendário perpétuo, tinha origem em quatro tambores da corda. A experiência adquirida com a construção deste calibre 2250 foi assim colocada em prática no calibre 2253, onde o novo movimento tirou proveito de aspectos técnicos mais modernos aplicados pelos técnicos, engenheiros e relojoeiros da manufactura.
Com uma complexidade mecânica ainda maior, o calibre 2253 beneficia de uma reserva de marcha impressionante — 336 horas ou 14 dias aproximadamente —, obtida a partir de quatro tambores de corda, acoplados dois a dois. A reserva de marcha que eles representam pode ser observada através do fundo em cristal de safira.
O fascínio da equação do tempo
A equação do tempo é provavelmente a complicação mais fascinante deste modelo excepcional. A sua função consiste em indicar numa base de minutos a diferença entre a hora solar variável, assinalada por exemplo por um relógio de sol, e a hora universal e constante dos relógios convencionais. Por razões práticas, o homem dividiu o ano em 365,25 dias, o dia em 24 horas e cada hora em 60 minutos. No entanto, a hora marcada pelo Sol varia a cada dia devido à órbita da Terra não ser circular, mas elíptica. Em consequência, o meio-dia solar, a hora em que o Sol se encontra no seu zénite, raramente coincide com as 12:00 horas exactas do relógio do observador. A hora solar e a hora universal apenas coincidem quatro vezes ao ano: a 15 de Abril, 14 de Junho, no dia 1 de Setembro e a 24 de Dezembro. No resto do ano, a diferença entre ambas as horas oscila entre os -16 e os +16 minutos.
O relógio mais antigo com indicação da equação do tempo foi construído pelo matemático Nicolás Mercator durante o século XVII. O modelo permitia que se convertesse o meio-dia solar variável na hora constante que marcavam os seus relógios. Os raros instrumentos que passaram a calcular e a indicar a equação do tempo a partir dai, foram quase sempre construídos por relojoeiros de primeira linha.
Mas a execução desta complicação exige um conhecimento especial. O seu funcionamento depende da came da equação, na forma aproximada de um “8”, calculada a partir da declinação diária do Sol, e observada de um ponto determinado. A came executa uma rotação por ano, e um ponteiro associado indica a equação do tempo entre as 10 e as 11 horas do mostrador do Patrimony Traditionnelle “Calibre 2253”.
Quando Sol nasce e se põe
Este modelo inclui uma outra função pouco habitual na relojoaria: as horas em que o Sol nasce e se põe durante o ano numa localidade determinada. Esta complicação depende também do controlo preciso permitido por uma came, cujo perfil se define a partir da latitude do local, e que põe à prova tanto a destreza dos engenheiros e relojoeiros da manufactura como a atenção que a Vacheron Constantin dedica aos seus clientes, que assim podem escolher o lugar do nascer e do pôr do Sol da sua preferência. Neste sentido, trata-se de uma complicação personalizada, cujas indicações estão dispostas simetricamente sobre o mostrador, às 8 e às 4 horas.
A gaiola do turbilhão — em forma de cruz de Malta, o clássico emblema da marca — efectua uma rotação por minuto às 6, como uma pequena indicação de segundos associados. A disposição das indicações do calendário perpétuo é simétrica: o dia, o mês e a data encontram-se, respectivamente, às 9, às 12 e às 3. O indicador de ano bissexto foi colocado na posição discreta da 1 hora.
Um nível de acabamentos excepcional
O acabamento sofisticado do relógio deverá sempre estar à altura da sua complexidade. Como era de esperar, o Patrimony Traditionnelle “Calibre 2253” tem um bom número de peças de platina, desde a caixa de 43 mm — estanque até 3 atm de pressão ou 30 metros de profundidade — até o mostrador com a inscrição “PT950”, a coroa e o fecho de báscula em forma de meia cruz de Malta. Um outro detalhe insólito, talvez único no âmbito da relojoaria, é a manufactura em platina dos ponteiros “dauphine” das horas e dos minutos: uma autêntica proeza técnica devido à dificuldade de trabalhar este metal em peças com esta dimensão e detalhe. A decoração do mostrador consiste em superfícies prateadas e esmeriladas com contadores espiralados, secções circulares acetinadas e filetes diamantados, para além dos índices das horas e a cruz de Malta em ouro branco.
O movimento calibre 2253 exibe o Selo de Genebra, um selo independente e reconhecido por lei, que constitui uma garantia de fabricação, origem, precisão, durabilidade e excelência. Para além de ser um dos selos profissionais mais antigos, este símbolo da perfeição de um relógio é reservado apenas a algumas manufacturas genebrinas, e, neste caso, significa que todos os detalhes ornamentais do movimento, como a decoração côtes de Genève, o granulamento circular e o chanfrado, são feitos à mão.
O acabamento da fina ponte do turbilhão é um exemplo, entre muitos outros. Primeiro arredonda-se a parte superior da barra de aço rectangular com uma lima para lhe dar brilho e uma forma cónica e semicilíndrica. A curvatura respeita a forma da ponte, desde o centro até os extremos alados. Em seguida, a superfície é alisada e polida com uma série de pedras e pastas abrasivas para que se obtenha um acabamento polido perfeito. De acordo com os requisitos da Vacheron Constantin, todo o processo é feito à mão e exige à volta de 11 horas de trabalho, mas é uma garantia da qualidade do acabamento do movimento.
O mecanismo de corda manual oscila a uma frequência de 18.000 alternâncias/hora. Para que se tenha uma ideia da complexidade e do nível de acabamentos desta obra-prima da relojoaria, o movimento com um diâmetro de 32,00 mm e apenas 9,6 mm de espessura, possui nada menos que 457 peças. Esta é a razão pela qual apenas serão construídos 10 exemplares deste “Patrimony Traditionnelle”.
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